Fui dispensado? Mas e o meu aumento?

Gestão de Equipas

Antes de começar a falar sobre este momento, preciso só de dar um contexto sobre o interveniente:

  • É um profissional júnior, próximo de fazer 2 anos de experiência;
  • Embora seja um profissional capaz, está enquadrado com a sua senioridade;
  • A sua estabilidade a longo prazo, e capacidade de concentração estão enquadradas também numa posição de júnior, dentro da média;
  • Em linha com as empresas da área, o seu vencimento mensal é superior aos vencimentos somados de vários casais que eu conheço.

Recentemente escrevi “Vou ser dispensado? Mas eu quero um aumento!onde no primeiro parágrafo refiro que:

“Mesmo com muita experiência, há sempre uma boa possibilidade de voltar a ser surpreendido.”

Pois bem, se nesse artigo a conversa com a pessoa era algo para o Futuro (“vou ser dispensado”), no artigo de hoje, embora seja com uma pessoa diferente, é sobre o passado (“fui dispensado”), o que para mim, torna ainda mais incrivelmente surpreendente.

Utilizo as palavras “incrivelmente surpreendente” porque ainda no outro dia me perguntaram se estes relatos são realmente verdade, ao que eu respondi simplesmente:

(Encolhendo os ombros)

“Sim, são. Feliz ou infelizmente são verdade.”

Bom, recentemente recebi um feedback sobre uma pessoa da equipa, que para mim é dos piores que eu posso receber, porque era acerca de soft skills:

“O comportamento, atitude e postura do “André” não está alinhada com a nossa expectativa. Não aparece a horas, falta às meetings sem avisar, e pede ajuda a todos ao mesmo tempo, como se quisesse que os outros fizessem o trabalho por ele. Está a prejudicar a sua entrega, e consequentemente a equipa toda.” 

Pedimos um período de tempo para acompanhar o “André” de mais perto, para perceber o que se estava a passar, e remover alguns dos seus impedimentos.

Apesar de termos feito um acompanhamento mais próximo, não foi possível recuperar a confiança do seu líder operacional e da restante equipa. Como tal o “André” teve de sair do projeto.

Na conversa de offboarding, comunicamos que ele iria sair do projeto por não ter sido possível reverter a situação. E que iriamos já começar a procurar um novo projeto para ele.

Ele ficou dececionado com a decisão, ainda discordou, mas depois de lhe falarmos num próximo projeto a resposta dele foi:

“Nesse novo projeto, será que já posso entrar com uma senioridade superior? Assim já conseguia melhorar as minhas condições salariais.”

Imediatamente respondemos…

“Não. O Foco não é esse. Para já temos de encontrar um projeto, e esse tema será revisto com o tempo.”

Não satisfeito, ele responde: 

“Mas podias dar uma boa palavra por mim, e que se eles gostarem de mim, eu entraria já numa posição acima.”

Eu respondi:

“Não sei se entendi bem a tua mensagem, mas espero que não… Estás a pedir-me para eu passar o teu dossier a um colega meu (outro manager), e que ele só te pode considerar se for possível responder à tua expectativa de uma revisão salarial!?!”

E continuei:

“A primeira pergunta que ele me vai fazer é porque é que saíste do projeto atual. O que queres lhe responda? Espero que não me peças para omitir alguns pontos.”

E terminei:

“Vamos fazer assim, está aí um fim-de-semana prolongado. Será bom para “encaixares” o que aconteceu, e quando regressarmos falamos novamente sobre isto.”

E terminou ali.

Estou certo que os próximos tempos tenho a certeza que trarão mais matéria para um artigo.

Esta situação faz parte da gestão de pessoas, não só da área de IT mas em todas as áreas, e tenho visto este tipo de situações principalmente com profissionais mais jovens, que como querem crescer muito rápido, colocam o seu foco no lugar errado.

É um facto que há pessoas que demonstram uma maturidade acima da média, e tenho a sorte de também trabalhar com pessoas assim, mas hoje em dia há uma vontade muito grande de crescer à toa e evoluir sem estrutura. 

Nestes casos, nas minhas conversas mais formais costumo fazer uma comparação com a Fruta, que tem uma ciclo de crescimento e maturação, e que quando não é respeitado nunca tem a mesma qualidade.

Há ainda o descaramento, uma espécie de falta de respeito, e inclusive a coragem que outrora era impensável existir, mas que hoje em dia existe. No entanto este tema parece-me importante o suficiente para destacar num artigo individual, para breve.

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Last modified: Janeiro 7, 2021