Qualitativamente falando não significa nada.

Teorias

O número de vezes que já fui induzido em erro, ou já vi serem criados conflitos apenas por falha de comunicação é demasiado alto.

E muitas das vezes isso acontece porque há uma tendência para falar qualitativamente em vez de quantitativamente, que ainda por cima não sei explicar.

Não sei explicar a razão, mas sei que é um erro e que é muito usado, e que absurdamente parece mais natural.

Mas reparem…

Para um habitante de uma aldeia, percorrer 25 Km de distância é perto e rápido, mas para um habitante de uma cidade,  25 Km de distância já é muito longe e demorado. Rapidamente se vê que ambos estão certos porque o seu contexto é diferente.

Trazendo o tema para a vertente profissional, é perceptível que estas análises qualitativas fazem parte do quotidiano, por exemplo:

“Logo ao fim do dia encontro-me com alguém da tua equipa para escrevermos um relatório mais pequeno para depois entregarmos.”

Alguns comentários sobre a frase acima:

  • Ao fim do dia que horas são?” – 17h? 20h?
  • Com alguém da tua equipa” – Com quem? Com quantos?
  • Mais pequeno” – Com menos de uma página, com menos um parágrafo, com menos de duas imagens? 

Em Gestão de Projeto aprendi o conceito de objetivos SMART, em que cada letra representa uma característica que qualquer objetivo deverá ter. Na Internet há alguns significados diferentes para cada letra, mas para mim estas são as que fazem mais sentido:

  • Specific – O que se pretende fazer.
  • Measurable – Só chegamos ao objetivo quando atingirmos a medida.
  • Achievable – Será mesmo possível atingir?
  • Relevant – É relevante para o projeto?
  • Timely – Quando é que ficará pronto.

Então, transformando o exemplo acima num objetivo SMART:

“Logo das 17h às 18h, vamos reunir com o “João” e com a “Rita”, para reduzir o relatório a uma página, como os relatórios habituais, para entregar à Direção.”

Specific: Reduzir um relatório a uma página, para entregar à direção.

Measurable: Uma página; Autores: Eu o “João” e a “Rita”.

Achievable: Já são habituais. Admito que é possível fazer.

Relevant: A Direção está à espera deste tipo de relatórios para tomar decisões.

Timely: Das 17h às 18h.

Outro exemplo muito frequente, e talvez mais simples é questionar quanto tempo é que a outra pessoa vai demorar a terminar uma tarefa.

“Quanto tempo precisas para fazer isso?”

“Ainda vou precisar de muito tempo!”

O que é muito tempo?

Para mim muito tempo pode ser duas semanas, e para outra pessoa pode ser quatro horas.

Falar de forma quantitativa, mesmo que associado a um intervalo, permite uma gestão de expectativas muito mais eficiente, e torna a comunicação menos suscetível a falhas. Exemplo:

“Quanto tempo precisas para fazer isso?”

“Estimo entre 6 a 8 horas”

Deixo-vos aqui duas questões:

  1. Utilizam mais vezes análises qualitativas do que quantitativas?
  2. Conseguem explicar-me a razão de ser mais natural?
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Last modified: Novembro 12, 2020