3 Níveis de Coragem (Parte I)

Teorias

Hoje quero partilhar uma teoria que venho desenvolvendo, e que da mesma forma que já vi que na prática me ajuda quase diariamente, espero conseguir que ajude mais pessoas.

A dada altura, senti que dispensamos imensa energia a interpretar e a “encaixar” algumas comunicações que nos chegam, às vezes só na forma de violência gratuita, como por exemplo um email com letras MAIÚSCULAS e a NEGRITO SUBLINHADO, ou então quando temos um grupo de pessoas furiosas contra nós, apenas porque temos uma opinião diferente.

Então comecei a pensar sobre o tema comunicação, e na literatura a definição de comunicação é um emissor que passa uma mensagem, por um canal, a um recetor.

Com o tempo apercebi-me que há níveis de coragem que influenciam toda a comunicação:

NívelLigação EstabelecidaPresença Física
BásicoNãoNão
IntermédioSimNão
AvançadoSimSim

Nível Básico

No Nível Básico, que é o mais fácil, a mensagem é passada a um recetor, sem estarem ligados em tempo real. Ou seja, além do recetor não estar na nossa frente, não existe linguagem não-verbal. 

Exemplos: 

  • Passar a mensagem através de um email / SMS;
  • Quando o emissor está a falar do recetor a uma terceira pessoa.

Nível Intermédio

No Nível Intermédio, que é de média dificuldade, existe uma ligação estabelecida mas existe também um sentimento de controlo, que é o poder de terminar a conversa a qualquer hora, ou então, o emissor tem um efeito de grupo onde ele se esconde.

Exemplos: 

  • Passar a mensagem por telefone ou vídeo chamada;
  • Passar a mensagem, onde o emissor se junta a um grupo de pessoas.

Nível Avançado

O nível avançado, que para mim é o mais difícil mas mais eficaz, significa simplesmente passar a mensagem com educação e sem faltar ao respeito, individual e pessoalmente.

Exemplos: 

  • Passar a mensagem frente-a-frente com o recetor, sem recurso a tecnologia.

Com isto em mente, enquanto recetor, fica mais fácil entender e reconhecer o que custou ao emissor enviar a sua mensagem, seja ela positiva ou negativa.

Começando com um exemplo de uma mensagem positiva: dizer que se gosta de alguém.

  • Se receber uma SMS, é possível deduzir que o emissor tinha muito medo da resposta. Caso não haja resposta ou a resposta seja negativa, nem sequer é necessário se despedir;

  • Se receber uma chamada, é possível deduzir que o emissor tinha alguma confiança, e arriscou. No entanto, se algo corresse contra o plano de ouvir uma resposta semelhante, rapidamente e com o embaraço é possível desligar a chamada;

  • Se ambos se encontrarem pessoalmente, significa que o emissor não tem receio da resposta de volta, e no mínimo, mostra coragem.

Agora aplicando, a mesma teoria ao mundo de profissional, numa situação de mal entendido:

  • O mais usual é enviar um e-mail, e colocar o N+1 (hierarquia) em CC. Aqui é onde eu tenho mais atenção, pois num texto não existe linguagem não-verbal, e é a pior maneira de resolver um conflito;
    Nota: Os smiles não substituem nada, e numa grande parte das vezes significa o oposto da imagem.

  • Tipicamente pode haver um telefonema, que pode terminar rapidamente com um “vou-te deixar a falar sozinho”, ou então, e muito frequentemente também, o emissor escolhe um grupo de pessoas alinhadas com ele, e em superioridade injusta passam a sua mensagem;

  • Encontrar-se no espaço social da empresa, tomarem um café e esclarecer o que é que se disse, e o que a mensagem realmente significava.

Ao conseguir identificar o nível de coragem do emissor, conseguimos tomar ações / respostas adequadas ao seu comportamento, e salvar muita energia!
Deixarei estas ações para um próximo artigo (3 Níveis de Coragem – parte II).

Estando confiante que não sou o único a vivenciar comunicações nestes três níveis, gostava de saber a vossa opinião.

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Last modified: Novembro 8, 2020